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História de Araripina: A cédula de papel e a história do voto


A cédula de papel feita a mão, confeccionada para ensinar o eleitor a votar


A

 grande discussão que se segue em cada eleição e na de 2022 que os eleitores foram às urnas no primeiro e segundo turnos para votar no candidato a governador, presidente, deputados estadual e federal e a senador é sobre o VOTO AUDITÁVEL, que seria o voto conferido, verificado e certificado o que no meu entendimento as urnas eletrônicas que passam por uma vistoria antes de serem distribuídas para assegurar sua segurança, já é de certa forma uma auditoria e os boletins que são impressos dão legitimidade ao processo. Ponto.

 

Mas o nosso intuito aqui não é discutir esse processo eleitoral até porque estamos vivenciados tempos difíceis de intolerância política e preconceitos e a neutralidade é a melhor forma de avaliar as coisas com razão sem deixar a emoção prevalecer diante do que é legítimo.

 

Trouxe aqui para vocês, leitores das nossas histórias e dos nossos acervos uma forma de como se pedia voto e demonstrava para o eleitor como se votar no dia da eleição.

 

O voto ainda era em cédulas físicas e as fraudes principalmente na hora da contagem, o “voto de cabresto” – aquele que você não vota por sua consciência ou preferência política, mas com base nas instruções e ordens expressas dadas por um “chefe político” que ainda permanece agora mais modernizado, eram constantes no momento da apuração. Casos em que o próprio candidato era o fiscal pressionava os escrutinadores para computar votos a seu favor. O grande dilema se dava quando um voto não estava legível e o quando não se identificava em qual candidato o eleitor pretendia votar. O número de votantes analfabetos dificultava ainda mais a apuração. 

Após a votação, as urnas eram fechadas, lacradas e levadas, com escolta da Polícia Militar, em veículos reservados pela Justiça Eleitoral até a junta apuradora  — no caso em Araripina, acontecia na Associação Recreativa Clube Arca de Araripina – Clube Arca.

Em 1996, desde que foi adotada a urna eletrônica, nunca se viu no país uma guerra contra o voto eletrônico. É como se o país vivesse em pleno século 21 com toda tecnologia e avanços que a ciência proporcionou e quisesse voltar ao tempo das cavernas.

 

A eleição municipal de 1988 disputada em Araripina por dois médicos bastante conhecidos; Dr. Pedro Alves Batista (MDB) e Dr. Valdemir Batista de Souza (PFL) pautas já disponibilizadas aqui no nosso blog com os links para quem quiser acessar logo abaixo, chamou atenção a forma como se ensinava didaticamente (risos) o eleitor a votar.

 

Nos palanques, na hora dos discursos exaltados uma enorme cédula apresentando o número do candidato a prefeito com um X em um quadrado do ladro direito e do lado esquerdo o número do candidato a vereador da localidade em que se apresentavam todos os aliados da campanha eleitoral em cima de um caminhão. Geralmente só quem discursava era o prefeito, o vice-prefeito e o representante daquela localidade. Coisas do passado.

 

A cédula era confeccionada a mão e não aparecia o nome dos adversários para não atrapalhar o eleitor na hora de votar, mesmo porque o próprio candidato fazia todo trajeto até o local da votação transportando os eleitores diretamente de suas casas até o local de votação. Geralmente todos eram acolhidos nas casas dos candidatos e servidos com mesas fartas para garantia e segurança dos seus votos. Óbvio que ainda existem esses mesmos movimentos tidos como militantes de campanhas e que não mais sendo permitidos a distribuição dos “santinhos” em dia de eleição, antes o eleitor já saia da casa do candidato com a cédula marcada para votar. Hoje chamamos de "colinha" incentivada pela própria justiça eleitoral.

 

As campanhas também eram feitas dessa maneira para os deputados, governadores, senadore que as famílias tradicionais apoiavam e se intensificou depois de 1996 com o advento do voto eletrônico. Essa é outra história que vamos contar aqui.

 

Como já mostramos para vocês uma dessas relíquias políticas que nos faz viajar pelas histórias de Araripina, outras já estão preparadas para que essa viagem nos conduza para grandes fatos que marcaram os 94 anos da emancipação política da nossa Princesa do Sertão do Araripe. 








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