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Opinião: Que tipo de médico está sendo formado para atender “pessoas”?



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 melhor coisa que uma família pode se orgulhar é ter um médico na família. Mas ter um médico na família para muitas famílias, desculpem a sinceridade: é questão de “status”, porque o médico vai ganhar mais dinheiro, vai arrumar a vida de boa parte daqueles que o ajudaram a se formar, enfim, separando a enorme carga de trabalho que o profissional já tem, reconhecidamente, mas boa parte, sem medo de ser desonesto ou irônico: traduz-se na polêmica estudante de medicina que desdenhou da morte de uma “pessoa”. 

E mais: são raros os atendimentos pelo Sistema Único de Saúde que o profissional médico trata o usuário do programa como se atendesse em sua clínica particular. “Tô” mentindo? 

E isso eu também incluo uma consulta pelo sistema do SASSEPE – aquele que atende os funcionários do estado. Fiz o teste em duas ocasiões e conferi o que afirmo categoricamente nesse caderno online. Claro, que vem a velha historinha de que a consulta pelo SUS e pelo SASSEPE o profissional recebe uma miséria, mas nas disputas políticas de qualquer cidadezinha, ele está lá, angariando votos para assumir uma vaga no serviço público. “Tô” mentido de novo?



Policiais civis cumprem mandado de prisão contra alunos de medicina em Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera


Aluno de medicina sendo levado para a delegacia após ser detido em Goianésia, Goiás — Foto: Reprodução/TV Anhanguera


Estagiária de medicina ironiza morte de paciente e é afastada: ‘Morreu e eu não dormi’

O curso de medicina custa caro e precisa de muito estudo e dedicação, mas parte da clientela que entra na faculdade para aprender sobre ética profissional e principalmente a tratar pessoas com dignidade, entra pelas portas do fundo ou pelo velho jeitinho brasileiro de quem tem poder e dinheiro no Brasil, não precisa o menor esforço, basta pagar caro e, por isso, que a faculdade de medicina ainda é para pessoas abastadas. A prova disso de vez em quando aparece nos noticiários jornalísticos, como daqueles 19 estudantes que tentaram estrar no curso de medicina de Goiás e Bahia com documentos falsos e fraudados, que inclusive segundo a investigação, alguns deles nunca estudaram medicina e já entravam no quinto ou sexto período do curso. 

A estudante de medicina, que estava mais preocupada em dormir, enquanto nas redes sociais divulgava de forma insensível que foi atrapalhada por uma mulher que estava infartando, é só uma prova das centenas de profissionais desqualificados que ocupam os consultórios do país para assistir mal as pessoas e até zombar do sofrimento alheio (como fez a estudante do Centro de Estudos Superiores de Maceió) e digo sem medo de errar, isso é praxe. 

Quantas vezes você não chegou numa unidade hospitalar em estado grave e o atendente não se omitiu em dizer que não tinha médico no momento, quando o mesmo estava “tirando uma soneca”. A estudante foi só um bode expiatório do que é rotineiro e também confesso que por várias vezes fui vítima dessa armação. 

Precisamos ter saúde de ferro em um país que forma profissionais para “salvar vidas”, mas que vira obedientemente escravo do capitalismo selvagem. Evidente que toda regra tem suas exceções.  


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