HISTÓRIA DE ARARIPINA: UM ARARIPINENSE NO GOVERNO DO ESTADO

Foto: arquivo 1996

Fragmentos do Livro – “Araripina – História, Fatos & Reminiscências”, de Francisco Muniz Arraes 


o assumir o governo do Estado, em 1979, Marco Maciel tinha a determinação de disputar um cargo eletivo, nas eleições de 1982. Para isso, deveria deixar o cargo dentro do prazo de desimcompatibilização, 15.02.82, dez meses antes do término regular do mandato.

Dentro do esquema macielista, foi convocado para o cargo de vice-governador o prof. Roberto Magalhães, de uma geração de políticos padronizados no pessedismo de Agamenon Magalhães, de quem é sobrinho, perfeitamente identificado com Marco Maciel e com o grupo dos Coelhos de Petrolina. Foi secretário de Educação de Nilo Coelho. 

Marco Maciel escolheu para seu líder na Assembleia, o deputado José Ramos, também pessedista de origem e ligado ao governador desde 1966, quando este se elegeu, pela primeira vez, deputado estadual, sendo por outro lado, líder do Governo Nilo Coelho. 

Zé Ramos, deputado combativo, posições definidas, respeitado entre os seus pares, linha de conduta irrepreensível, desempenhou com excelente performance o papel de líder do Governo, o que o credenciou a disputar, em 1981, a Presidência da Assembleia. Houve uma cisão no partido governista e a ala do PSD ligada a Moura Cavalcanti, possível candidato ao Governo do Estado, indicou o nome do Deputado Severino Cavalcanti à presidência da Assembleia, com apoio da oposição. Zé Ramos venceu, abrindo um caminho mais largo às pretensões política de Marco Maciel e, sobretudo, à sucessão estadual. Estabelecera-se uma sólida base para as grandes decisões políticas do ano de 1982. O PSD ficou com grande espaço para indicação dos candidatos aos cargos majoritários, pois contava com nomes com os quais poderia jogar livremente. 

Havia a expectativa de reforma constitucional, em cogitação no Planalto, para estender a sublegenda ao cargo de Governador e vice. Foi rejeitada pelo Congresso. Outro casuísmo foi implantado com a reforma eleitoral: proibição de coligações partidárias e vinculação total dos votos. Isso favoreceu sobremaneira o PSD aqui em Pernambuco. 

Moura Cavalcanti, um dos nomes mais fortes do Partido para o disputar o cargo de governador, por motivo de saúde, teve de se afastar das lides políticas. Sem a sublegenda e desfalcado de um dos mais expressivos membros, o PDS teria de se fixar em um nome que pudesse enfrentar o candidato do PMDB, lançado desde o mês de maio de 1981, Marcos Freire, candidato natural do partido e amadurecido demais no seio da oposição. 

O vice-governador Roberto Magalhães não tinha densidade política e nem gozava de simpatia popular, ao contrário do candidato da oposição. Na vice-governança do Estado, Roberto Magalhães fez um bom trabalho junto à classe política, abrindo grande espaço para o seu nome, como opção à sucessão de Marco Maciel. Não foi difícil conseguir a unidade partidária em torno de seu nome. 

Restava ainda os nomes para vice-governador e senador, sendo apontados como prováveis candidatos Gustavo Krause, prefeito do Recife, Geraldo Melo, prefeito de Jaboatão, para vice; Ricardo Fiúza e Geraldo Guedes, para senador, desde que Marco Maciel não se definira se disputaria o Senado ou a Câmara Federal. No mês de abril/82, foram definidos os nomes dos candidatos aos cargos majoritários: Roberto Magalhães, governador, Gustavo Krause, vice e Marco Maciel, senador. 

A indicação de Roberto Magalhães consolidou a sucessão de Marco Maciel, para o restante do seu período de Governo, na pessoa do Deputado José Muniz Ramos. No dia 14 de maio de 1982, o araripinense Zé Ramos assumiu o Governo de Pernambuco e teve a grande responsabilidade de presidir as eleições de 1982, que se prenunciavam como uma das mais difíceis. 

Como se vê, não foi por um simples acaso que Zé Ramos chegou ao Governo do Estado. Tudo foi meticulosamente planejado e executado dentro de um esquema traçado pela habilidade política de Marco Maciel, que se move com lentidão no tabuleiro do xadrez político, mas com absoluta precisão. 

Araripina foi muito bem servida no Governo de seu filho Dr. José Ramos Muniz.



José Ramos em campanha para disputa de uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco. Arquivo
Presença de José Ramos em Momento Político. (Arquivo Cedido pelo Radialista Josafá Reis - O Pioneiro do Rádio Araripeano, que aparece ao lado do ex-governador e do ex-prefeito Dr. Pedro Batista)

Raro momento de aparição do ex-governador em companhia de familiares e amigos. Foto: Facebook

A Avenida Perimetral que por mérito tem o nome do ex-governador José Ramos, é uma entre tantas obras que ele como fiel araripinense trouxe quando governara Pernambuco.




Hoje (22/09) o homem que tanto contribuiu para o progresso desenvolvimento de nossa terra, filho de Manoel Ramos de Barros (Seu Né Ramos) prefeito por três vezes de Araripina e de Maria de Lourdes Muniz Ramos (Dona Lourdinha - 105 anos), completa 80 anos de vida. Desejamos a ele saúde, paz e toda felicidade. (Fotos: arquivo pessoal)

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